A luz de trator ( contos e superdições
Alguns moradores de Echaporã, contam, que na Estrada de Terra que interliga Echaporã a cidade de Platina, existia um local onde a estrada era mais fina, ou seja, passava-se apenas um automóvel, e doravante é necessário esperar a vez do cada um.
Dito que desta forma, pela noite, quando vem veiculo, automóvel, caminhão, trator, qualquer que seja, sempre espera para que o outro de luz alta venha em sua direção, imaginação e coração começam a pulsar.
Pois, então ali espera-se por valiosos minutos, que começam dar uma tenção, o condutor do veiculo parado, desiste de esperar pelo outro.
Então, começa a acelerar em frente em direção a luz, e a luz continua no lugar, e como se fosse uma mágica desaparece do nada, ou seja, não existe veiculo algum, nada na estrada. Porém ao passar no local que dá a distância que temos em mente desta visão, sente-se um frio gelado que adentra ao veiculo, seria medo, seria o mistério, seria o que...
Sem explicação, sempre o condutor do veiculo, esconde a historia, por receio de gozações, tem certas pessoas que contam, mais aumentam tanto a historia, que parece que havia um grande fantasma, dirigindo um trator e esse fantasma é muito perigoso.
É seria melhor, aumentar a fé, crer mais em Deus, que lá existe algo sabemos, mais porque temer, quem sabe evitar de viajar em altas horas da madrugada, ou até mesmo fazer um circulo de oração no local, tentando amenizar esta visão.
A luz está lá, não são todos que vem, nem se trata de imaginação, explicações não sabemos como, a realidade abstrata brilha, seria melhor evitar, ou confrontar, desconheço a solução, a séculos a lenda existe, uns dizem ser um conto, outros afirmam ter visto, mais ninguém, dos que dizem ter visto, quis escrever a historia ou estória, apenas relataram o fato, pedindo para não citar seus nomes.
A luz está lá, e porque apenas algumas pessoas vêem não sabemos.
Segue um.cordel
Nas curvas do Centro-Oeste
Do estado de São Paulo,
Canto a terra abençoada
Onde o trabalho é o halo.
Echaporã é seu nome,
Rica em beleza e costume,
Onde a história reluz
Como o brilho do vaga-lume.
Acolheu o imigrante
Que veio de longe a pé,
Italiano e japonês,
Com coragem e muita fé.
Racharam essa terra bruta
Com a força do braço irmão,
Fizeram do chão paulista
A sua nova nação.
A natureza ali fez
Uma rara reunião:
A Mata Atlântica verde
E o Cerrado no sertão.
Num encontro majestoso,
De uma beleza sem fim,
A vida brota no solo,
Macaúba e canachim.
O solo de lá é rico,
Mostra quatro tons de chão:
Tem terra preta e amarela,
A vermelha e o areião.
Cada cor guarda um segredo,
Um tipo de plantação,
Alimenta a nossa gente,
Engorda a produção.
Na curva da zona rural,
A água brota com gana,
São mais de trezentas minas
Que jorram puras e insanas.
Riqueza hidrológica viva
Que banha a planta e a flor,
Echaporã é mistério,
É fartura e é valor.
Mas nem só de agricultura
Vive o povo do lugar,
Tem causo que o povo conta
Que faz a espinha gelar.
Na estrada de terra bruta
Que vai pra dita Platina,
Um trecho muito estreito
A qualquer um desatina.
A pista fica tão fina
Que só passa um por vez,
Quem chega ali à noite
Pensa na sua sensatez.
Aguardando a sua hora,
Esperando o outro passar,
Vê-se um farol bem forte
Na escuridão faiscar.
Sinal de luz bem alta,
Parece carro ou trator,
O motorista parado
Sente o sangue sem calor.
Aguardando os minutos,
O coração a pulsar,
O tempo vai se passando
E nada de o farol chegar.
A luz continua fixa,
Não sai do lugar, não vem,
A tensão aumenta muito,
Não se avista mais ninguém.
O motorista engata a marcha,
Resolve então acelerar,
Vai em direção ao brilho
Pra ver o que vai dar.
Mas quando chega bem perto,
A luz evapora no ar!
Não tem caminhão nem nada,
Só a poeira a rodear.
E ao cruzar aquele ponto
Da visão que se sumiu,
Adentra no automóvel
Um gelado e denso frio.
Será medo, será alma?
Que mistério é esse aí?
Quem passa por esse susto
Quer logo é fugir dali.
Muitos guardam o segredo
Com medo da gozação,
Outros contam aumentando
Com muita imaginação.
Dizem que é um fantasma
A guiar um grande trator,
E assombra os viajantes
Causando pavor e dor.
Mas o povo de fé sabe
Que é preciso orar no chão,
Ter mais Deus no coração
E pedir a proteção.
Evitar a madrugada
Pode ser bom conselho,
Ou fazer naquele trecho
Uma oração de joelho.
Pra acalmar a assombração
Que vaga na escuridão,
E trazer a santa paz
De volta pro sertão.
A luz continua lá,
Nem todos conseguem ver.
Se é lenda ou se é verdade,
Não cabe a mim responder.
Os nomes de quem presenciou
Ficam guardados no segredo,
Em Echaporã o mistério
MISTURA A fé com o medo.