14. Escritor: Ediloy Ferraro

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Ediloy Ferraro
Quem sou eu
Tenho 52 anos, casado duas vezes e um casal de filhos, um de cada casamento. Sou nascido em Echaporã, pequena cidade do interior paulista, passei parte de minha infância no interior do Paraná, cidade de Mariluz, também, à época, um pequeno povoado. Imagens de cidade grande que tive foi de Marília, também interior de São Paulo, onde passava férias na casa dos avós paternos. Em 1971, assustado com a imensidade desta megalópole aportei em São Paulo, onde me encontro até hoje. Cursei Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ( PUC), tendo antes passado alguns meses como aluno do Curso de Ciências Sociais, também na PUC.

Como e quando você começou a se interessar por Literatura?
A literatura chegou-me através do incentivo de um professor, cujo nome completo jamais soube, apenas o conheci como Silveira, de língua portuguesa. Ele reservava uma aula por semana para o tema redação. Apesar de meus claudicantes erros ortográficos, próprios de um estudante do antigo ginásio, ele valorizava a criatividade, estimulava a escrita, foi marcante. Pronto, estava inoculado o vírus da literatura. Isso acompanhou-me nos anos seguintes. No antigo colegial fundamos a Folha Literária, alguns textos foram publicados nas coletâneas de contos promovidas pela EBJE, textos rascunhados e publicados entre 1977/78 “ Pesadelo Surreal”, anteriormente com o título “Hoje, o herói sou eu” , “Alucinação”, com o título de “Ventos, Portas e Janelas”, constam nas seletivas desta Editora. Tive também uma paixão desmedida pelo teatro, assistia todas as peças em promoção bem como li e me encantei com diversos autores: Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Guarnieri,Chico Buarque, Ariano Suassuna, além de autores internacionais como Sartre, Shakespeare, Moliére, Garcia Lorca, Becket, Eugene O’ Neil, Berthold Brechet, Harold Pinter, entre outros.. À época chegamos a estrear um pequeno texto para o teatro, que permaneceu por dois finais de semana em cartaz, assiduamente assistidos pelos parentes dos participantes. Tenho um texto, escrito recentemente para ser encenado, trata-se de um monólogo em 3 atos, sobre a fixação de um homem por sua chefe na repartição, entitulado JUNTOS & DISTANTES, sendo registrado na Biblioteca Nacional de direitos autorais. Já na faculdade, criamos dois periódicos literários: O Hebdomadário e o Mosaico, ambos de vida curta. Participei de Antologias de poesias em 1980 e 1982 no campus universitário, bem como textos publicados em divulgações esparsas em jornais. Vivíamos o período da efervescência da abertura política, sendo a universidade um celeiro de manifestações pela democracia. Tive um período de militância político-sindical, com cargos eletivos. Hoje milito no plano das ideias.

Como é a relação que você identifica entre a sua vida e a sua obra?
A pergunta sobre a relação entre o autor e a obra, talvez possa, hoje, relendo textos da época da grande escuridão política e abstrair uma certa fuga mística, que talvez retrate esse período nebuloso que vivíamos. Não há um engajamento, mas uma temática de devaneios e abstrações, nada focado diretamente na realidade concreta. Eram textos intimistas, emblemáticos. Isso encontro em alguns dos meus textos publicados entre 1977 e 1978. Quanto à razão de por que escrevo, costumo dizer Escrever é se expor, ninguém o faz para si próprio, sendo sempre mensagens enviadas para interlocutores reais ou imaginários,ou seja, é um brado por timidez ou por vaidade. Em meu caso,por ambas. Tenho uma certa inquietude ou mesmo compulsão por escrever ... Além disso não saberia expressar o porquê de fazê-lo, algo que me acompanha desde a adolescência, e que traz uma imensa satisfação íntima.


Quais são seus autores preferidos? Os autores que chamaram a minha atenção, a sutileza de Machado de Assis,( Memórias Póstumas de Braz Cubas, O Alienista,Capitu, entre outras) como pelo primor estético e de denúncia social de Graciliano Ramos,(Vidas Secas, São Bernardo, Memórias do Cárcere, etc) ou da prosa mais relaxada e prazerosa de Jorge Amado, notadamente do período em que trata da Ditadura do Estado Novo ( O Cavaleiro da Esperança, Subterrâneos da Liberdade, Luz no Túnel e, especialmente, Capitães da Areia ), há, ainda, doces lembranças de José Lins do Rego, com Menino do Engenho e Fogo Morto. O Ateneu de Raul Pompéia, O Cortiço de Aluízio de Azevedo, Macunaíma de Mário de Andrade,. A nossa literatura é muito rica, fértil. Para não ficarmos apenas restrito aos escritores regionais nordestinos, ressalto Érico Veríssimo, grande autor sulista e ao contista curitibano, Dalton Trevisan. Na poesia não posso me esquecer do encanto de Mário Quintana, Ferreira Gullar, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Ivo, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello Neto, Thiago de Mello, Cora Coralina, Cecília Meirelles, Clarice Lispector, Cassimiro de Abreu, Fernado Pessoa, Vinicius de Moraes, Guilherme de Almeida, Castro Alves, Luiz Vaz de Camões, Florbela Espanca, Álvares de Azevedo, Paulo Leminski, Augusto dos Anjos, entre outros.

Como você conheceu a CBJE e como você vê nossa atuação em relação aos jovens autores brasileiros?
O Encontro com esta editora, a CBJE, foi como se me conectasse ao que sempre busquei, ao desafio de escrever, através do incentivo. É um pouco do meu saudoso professor de português com as tentativas de criar um ambiente para a produção literária nas várias oportunidades em que estive à frente de diversas tentativas de se criar um veículo de expressão, nos jornais e revistas literárias de curtas existências. Acho esta iniciativa digna dos maiores aplausos, pelo bem que ela proporciona ao dar espaço para tantos escritores anônimos bem como pelo incentivo à cultura nacional. Foi uma feliz descoberta, ocorrida no final de 2009, desde lá venho sido honrosamente contemplado em publicações.

Que conselho você daria aos que estão começando na carreira?
Sobre dar conselhos, creio que todos temos algumas tendências vocacionais, por vezes ficam submersas pelas faltas de oportunidades, frustrando tantos talentos. A internet é um meio revolucionário à mão de todos. Um texto publicado fica exposto na maior vitrine já conhecida, apesar da consagração vir ao se ter um texto publicado ainda em que uma coletânea, que possa ser manuseado e guardado em sua estante. São ferramentas que desconhecia há 20, 30 anos passados. Debruce sobre você, vasculhe-se, mergulhe em seu íntimo e exponha sem falsos pudores suas emoções, verá que interessante e rico é o nosso interior, compartilhe...

Escrevo, quase que diariamente, no meu blog www.blogdoediloy.blogspot.com e participo de diversos sites de literatura: Site de Poesias, Recanto das Letras, Verso e Prosa, Espaço Literário -o melhor da web.


Contato: ea-ferraro@hotmail.com