Contos
ou lendas A mãe d`água ( contos ou realidade....)
A
alguns anos atrás, eu tinha 14 anos, estávamos
pescando no Taquaral, eu Nilceia, meu Pai Nilton e minha mãe Lourdes, seguimos
o rio acima, para pescar durante o começo da noite, porque era a melhor ora de
ser pegar peixes maiores carnívoros, que se pegava com outros peixinhos
menores.
Encontramos
uma curva de rio boa, que formava pequenos redemoinhos dentro dágua, em uma
represinha natural, um lugar bonito, bem nesta curva, propicio a uma boa
pescaria.
Começamos
a pescar, toda hora eu fica sem isca e meu pai colocava, porque eu não sabia
colocar no anzol a isca, por medo de machucar o dedo com o anzol.
Anoiteceu, estávamos pegando bastante peixe, para comer
na semana Santa e começou esfriar, continuávamos ali, bem pertinho uns dos
outros, foi quando no meio da represa começou a levantar um tucho de água com
uma bola de luz no meio, parecia um poço
artesiano jorrando com formato de rosto em cima, pior não fez barulho ao
formar, na hora eu fiquei apavorada chamei meu pai, que estava ao lado e ainda
não havia prestado atenção, meu pai logo cutucou minha mãe.
Ele
recolheu tudo rápido, juntamos tudinho muito depressa e saímos de lá
ligeirinho, em silencio, um olhando para o outro com os olhos arregalados.
Enquanto
a gente distanciava olhávamos para trás e parecia que luz estava lá brilhante a
na mesma altura, não sabemos se aquilo era a mãe da água , ou um gaser de luz,
fogo fosfato, assombração, sei lá, sabemos apenas que vimos aquilo, e quando
contamos aos conhecidos, dizem ser a mãe da água, mais nunca mais voltamos para
saber o que era de verdade.
Desta
fomos, temos a dizer que fomos abençoados por Deus, porque deu medo naquele
instante, mais ao lembrar daquela imagem brilhante que está em nossas mentes,
podemos dizer que somos uma família privilegiada, porque juntos vimos uma prece
da natureza.
O
que era aquilo, até hoje não sabemos, apenas temos certeza que nossa família já
viu e presenciou muita coisa, que não se pode comentar, nem escrever.
Fazendo desta história um cordel:
Em Echaporã encantada,
Onde a vida cria laços,
No Centro-Oeste paulista
A terra junta os pedaços:
O Cerrado e Mata Atlântica
Se abraçam com romântica
Beleza em cada passo.
Eu tinha quatorze anos,
Era um tempo de harmonia,
Fui pescar lá no Taquaral
Com a minha companhia:
Minha mãe, a dona Lourdes,
Com amor que nada ilude,
E o meu pai, seu Nilton, ia.
Eu, Nilceia, acompanhava
A família no caminho,
Rio acima a gente ia
Pra pescar mais de mansinho,
No começo da noitinha,
Pois peixe grande vinha
Em busca de peixe minho.
Carnívoros peixes grandes
Procuravam refeição;
Nós achamos uma curva
Boa para a pescaria então,
Tinha uns pequenos redemoinhos,
Represinha de carinhos
E de grande atração.
Tudo ali era bonito,
Lugar de paz, sossegado,
Eu pedia ao meu pai
Pra pôr isca no meu lado;
Não sabia pôr no anzol,
Com medo do ferro ou do sol,
De ter o dedo furado.
Lá pescando em família
Para a semana ter pão,
E comer na Semana Santa
Com amor e devoção,
E de repente o frio vinha,
A família bem juntinha
Ali na mesma direção.
Foi no meio da represa,
A noite já se fechava,
Um tucho de água subiu,
E no meio reluzia e brilhava!
Uma bola luminosa,
Misteriosa e radiante,
Como um poço jorrante
Que uma imagem formava.
Parecia um formato de rosto
Que a água ali esculpiu,
Sem fazer nenhum barulho,
Em silêncio o tucho subiu.
Fiquei toda apavorada,
Chamei meu pai na jogada,
Que a minha mãe cutucou e viu.
Meu pai recolheu as tralhas,
Juntou tudo no momento,
Saímos dali depressa,
Sem fazer um só movimento,
Ligeirinhos e em silêncio,
Olho arregalado e tenso,
Prestando bastante atenção no vento.
Pela mata nos distanciando,
Olhávamos para trás,
E a luz continuava
Na mesma altura e em paz.
Gêiser de luz ou fogueira?
Assombração na ribanceira?
Ou Mãe da Água e nada mais?
Povo diz ser Mãe da Água,
Mas nós nunca retornamos
Pra saber qual o mistério
Que naquela noite olhamos.
Mas guardamos a lembrança
Dessa linda e rara herança
Que em família contemplamos.
Fomos abençoados por Deus,
Pois embora desse medo,
Presenciar tal imagem
Foi um sagrado segredo.
Somos privilegiados por ver
A natureza erguer
Sua prece bem de cedo.
O que era aquilo, afinal?
Até hoje não sabemos,
Mas que a família presenciou
As coisas que nós vivemos,
Histórias que não se escrevem,
Segredos que nos comovem
E no coração mantemos!
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Obrigadaço por postar um comentario. Nilgazzola